A Era dos Tiranos Gregos (c. 650–510 a.C.): Transição Política e Ascensão do Poder Autocrático

Embora a tirania tenha existido ao longo da história grega desde meados do século VII até o século II, 'a era dos tiranos' é um termo usado por historiadores modernos para se referir a um período de tempo em que muitas das principais cidades gregas foram governadas por um tirano, começando com Cipselo de Corinto por volta de 650 e terminando com a queda dos filhos de Pisístrato em Atenas em 510. Esta 'era dos tiranos' foi uma etapa de transição no desenvolvimento político da 'polis', pondo fim à antiga ordem aristocrática e lançando as bases para as constituições dominadas pela classe média e pelos hoplitas que se seguiram ao colapso da tirania. Um tirano grego não era necessariamente um governante brutal, como o sentido moderno da palavra sugere, mas um indivíduo que havia tomado o poder, geralmente por meio de um golpe militar, e governava como um autocrata fora das instituições do Estado. A primeira geração de tiranos foi, em sua maioria, notada pela brandura de seu governo, pois dependiam da boa vontade do povo para manter sua posição; geralmente era a segunda geração (a maioria das tiranias durava apenas duas gerações) que mostrava todas as características do tirano perverso tradicional, levando à sua derrubada.

A maior dificuldade em avaliar as causas da tirania surge dos problemas das fontes primárias disponíveis. A evidência mais detalhada para o governo de tiranos individuais vem de Heródoto, cuja história foi escrita provavelmente no terceiro quarto do século V (450–425) e reflete a tradição oral sobre os tiranos que era corrente no século V. Seu relato do governo dos tiranos posteriores, como os Pisistrátidas atenienses que caíram em 510, é, em sua maioria, confiável, pois o nascimento de Heródoto (tradicionalmente dado como 484) foi próximo dos eventos que ele descreve; mas inevitavelmente há distorções, exageros e até mesmo um estilo de 'conto de fadas' sobre os tiranos anteriores, como Cipselo, que tomou o poder por volta de 650. O tema de Tucídides era a Guerra do Peloponeso e, consequentemente, seu relato da história grega antiga é breve e superficial. A principal história deste período foi escrita por Éforo de Cime por volta de meados do século IV; apenas fragmentos de sua obra sobrevivem, mas historiadores posteriores que escreveram sobre a Grécia antiga usaram extensivamente sua obra. A história de Éforo tem valor, mas, como a de Heródoto, deve ser usada com cautela – há uma necessidade de separar os fatos das lendas.

A evidência dos filósofos do século IV sobre a tirania fornece algumas informações úteis. Platão na República está mais preocupado com o (falta de) valor deles como uma forma de governo, contrastando o tirano perverso com o bom rei, do que com sua história. Aristóteles na Política (1310b–1315b) é muito mais útil em sua análise da natureza da tirania. No entanto, a distinção de Aristóteles entre os tiranos antigos e os tiranos de sua época também causa problemas – ele inclui Dionísio, tirano de Siracusa de 405 a 367, entre os tiranos antigos, embora ele fosse um quase contemporâneo de Aristóteles e, consequentemente, parece estar usando a carreira de Dionísio no século IV como um modelo para os tiranos dos séculos VII e VI. A evidência contemporânea para a era da tirania grega vem de três poetas: Tirteu de Esparta, que revela explicitamente a importância dos 'hoplitas' da classe média para a segurança do Estado e implicitamente sua crescente consciência de classe; Alceu de Mitilene, o oponente dos tiranos Pítaco e Mirsilo, cujos valores e preconceitos ajudam a explicar a hostilidade que era sentida em relação ao governo aristocrático; e Sólon de Atenas, cujos poemas destacam os problemas internos que tornaram a tirania inevitável, a menos que fossem remediados. Sua evidência é muito útil para fornecer uma visão das tensões de suas cidades individuais, mas carece do rigor analítico da historiografia e deve ser usada com cautela ao investigar as revoluções de outras cidades. O objetivo deste capítulo, usando as fontes primárias acima, é discutir as tiranias de Fídon de Argos, Cipselo de Corinto e Clístenes de Sicião, onde três fatores – militar, econômico e étnico, respectivamente – prevaleceram em sua tomada de poder; a tirania de Pisístrato em Atenas e os benefícios que os tiranos trouxeram para suas cidades serão discutidos no Capítulo 6.

Aristóteles é mais útil na identificação das características típicas de um tirano e dos meios pelos quais eles chegaram ao poder:

Aristóteles, Política 1310b):

O tirano é instalado no poder de entre o povo ('demos') e as massas contra os ricos para que o povo ('demos') não sofra nenhuma injustiça em suas mãos. Isso fica claro pelos eventos da história. Pois quase todos os tiranos ganharam poder por serem, por assim dizer, líderes do povo, ganhando sua confiança ao caluniar os ricos. Pois algumas tiranias foram estabelecidas desta forma quando suas cidades já haviam se tornado grandes; mas outras antes delas surgiram de reis indo além do costume e visando a um governo mais despótico; outras surgiram daqueles que foram eleitos para o cargo chefe de Estado... e outras de oligarquias escolhendo um de seus membros para ser o principal oficial para os maiores cargos de Estado. Pois, por esses meios, foi possível para todos eles alcançar seu objetivo facilmente, se apenas o quisessem, porque já possuíam o poder da realeza ou de um cargo político específico. Fídon em Argos e outros se tornaram tiranos desta forma quando já eram reis; enquanto os tiranos jônicos e Fálaris ascenderam do cargo público; Panaitos em Leontini, Cipselo em Corinto, Pisístrato em Atenas, Dionísio em Siracusa e outros surgiram da mesma forma por serem líderes do povo.

Fica claro pela citação acima que a grande maioria dos tiranos veio das classes dominantes, mas rejeitou o governo aristocrático atual em favor de um regime que protegia o povo dos aristocratas, com eles mesmos como o líder dos oprimidos: daí seu amplo apelo popular. Agora é apropriado dar exemplos concretos de tiranos individuais e das causas específicas que lhes permitiram se tornar os líderes do povo.